quarta-feira, 11 de maio de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Ciências da Natureza vs. Ciências Humanas
Atualmente a contraposição entre ciências da natureza e ciências humanas perdeu muito do seu significado. (...) Eis algumas das razões que contribuíram para essa mudança de atitude:
· A própria ciência da natureza reconhece hoje que o seu ideal de exatidão, de objetividade e de previsão determinista não é alcançável;
· A própria ciência da natureza adquiriu a consciência do seu carácter histórico, da sua destinação social e dimensão humana; no fundo reconhece-se também ele como ciência humana, como obra do homem. Tem-se hoje consciência de que toda a explicação e toda a teoria científica são construídas no elemento e no horizonte de vetores de compreensibilidade histórica e culturalmente determinados (...);
·O projeto clássico da objetividade científica está comprometido pelo princípio de complementaridade posto em evidência pelas próprias teorias científicas no início deste século. O sujeito está implicado no objeto e o objeto no sujeito. O ato de observação não é um ato neutro e puro, imune à intervenção da subjetividade. A posição do observador afeta a natureza do fenómeno observado. O próprio fenómeno e experiência são determinados pelas categorias, processos metodológicos, instrumentos utilizados, etc.
· Os cientistas e epistemólogos têm hoje consciência de que a ciência da natureza não usa apenas a prova das suas verificações experimentais e das suas deduções teóricas, mas recorre também a argumentos retóricos, do mesmo tipo dos que utilizam as ciências humanas(...);
· O reconhecimento da complexidade da realidade que, por um lado, revela as falhas das nossas ciências, as quais constituem, por assim dizer, pequenas ilhas de conhecimento num vasto oceano de incertezas; e, por outro lado, exige cada vez mais o reconhecimento da interdependência dos saberes e a colaboração interdisciplinar entre cientistas de diferentes domínios;
[Tudo isto leva] à criação de um novo paradigma de cientificidade:
"A distinção dicotómica entre ciências naturais e ciências sociais deixou de ter sentido e utilidade. Esta distinção assenta numa conceção mecanicista da matéria e da natureza a que contrapõe, com pressuposta evidência, os conceitos de ser humano, cultura e sociedade Os avanços recentes da física e da biologia põem em causa a distinção entre o orgânico e o inorgânico, entre seres vivos e matéria inerte e mesmo entre o humano e o não humano. (...) O conhecimento do paradigma emergente tende, assim, a ser um conhecimento não dualista, um conhecimento que se finda na superação das dicotomias tão familiares e óbvias que até há pouco considerávamos insubstituíveis, tais como natureza/cultura, natural/artificial, vivo/inanimado, mente/matéria, observador/observado, subjetivo/objetivo, coletivo/individual, animal/pessoa. Este relativo colapso das distinções dicotómicas repercute-se nas disciplinas científicas que sobre elas se findaram. Aliás, sempre houve ciências que se reconheceram mal nestas distinções e tanto que tiveram de se fraturar internamente para se lhes adequarem minimamente. Refiro me à antropologia, à geografia e também à psicologia. Condensaram-se nelas privilegiadamente as contradições da separação entre ciências naturais/ciências sociais" (Boaventura Sousa Santos, Um Discurso sobre as Ciências, pp.37-40).
SANTOS, Leonel Ribeiro e outros, Introdução à Filosofia - 11º Ano, p.104.
1. Explicite o sentido da seguinte frase do texto:" A própria ciência da natureza reconhece hoje que o seu ideal de exatidão, de objetividade e de previsão determinista não é alcançável."
2. "Os cientistas e epistemólogos têm hoje consciência de que a ciência da natureza não usa apenas a prova das suas verificações experimentais e das suas deduções teóricas, mas recorre também a argumentos retóricos, do mesmo tipo dos que utilizam as ciências humanas (...)" Concorda com a posição do autor no que diz respeito a esta problemática. Justifique a sua opinião.
3. Descreva de uma forma sucinta em que se traduz o paradigma emergente de que nos fala Boaventura de Sousa Santos.
domingo, 13 de março de 2011
Conhecimento vulgar e Conhecimento Científico
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| Ficha de trabalho Conhecimento vulgar e Conhecimento Científico «Ao passarmos de ideias elementares para as ideias abstractas, de juízos superficiais a outros mais profundos, fazemos a passagem da aparência das coisas para a sua realidade. Ao considerar o conhecimento, devemos fazer sempre uma distinção entre aparência e realidade – entre os fenómenos particulares que são imediatamente evidentes à observação e os processos ocultos, interconexões e leis que se manifestam nas aparências e estão na base dos factos observados. A tarefa de conhecer as coisas é sempre avançar das aparências para a realidade, assim como conseguir saber mais acerca do movimento real e interconexões das coisas, manifestas na sua existência particular e modo aparência. Cornford, Materialismo Dialéctico. 1. Tendo presente o conteúdo do texto, elabore uma reflexão onde torne evidentes as diferenças entre o conhecimento vulgar e conhecimento científico. |
segunda-feira, 7 de março de 2011
A origem do conhecimento segundo Kant
O nosso conhecimento provém de duas fontes fundamentais do espírito, das quais a primeira consiste em receber as representações (a receptividade da impressões) e a segunda é a capacidade de conhecer um objecto mediante estas representações (espontaneidade dos conceitos); pela primeira é-nos dado um objecto; pela segunda é pensado em relação com aquela representação (como simples determinação do espírito). Intuição e conceitos constituem, pois os elementos de todo o nosso conhecimento, de tal modo que nem conceitos sem intuição que de qualquer modo lhe corresponda, nem uma intuição sem conceitos podem dar um conhecimento. Se chamarmos sensibilidade à receptividade do nosso espírito em receber representações na medida em que de algum modo é afectado, o entendimento é, em contrapartida, a capacidade de produzir representações ou a espontaneidade do conhecimento. (...) Sem a sensibilidade, nenhum objecto nos seria dado; sem o entendimento, nenhum seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas. Pelo que é necessário tornar sensíveis os conceitos ( isto é, acrescentar-lhes o objecto na intuição) como tornar compreensíveis as intuições ( isto é, submetê-las aos conceitos). Kant, Critica da Razão Pura
2. Qual o papel desempenha cada dessas fontes no conhecimento? 3. Explique a seguinte afirmação de Kant: "Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas." |
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Os pressupostos do empirismo filosófico
O empirismo (de empeiria = experiência) opõe à tese do racionalismo (segundo a qual o pensamento, a razão, é a verdadeira fonte de conhecimento), a antítese que diz: a única fonte do conhecimento humano é a experiência. Na opinião do empirismo, não há qualquer património a priori da razão. A consciência cognoscente não tira os seus conteúdos da razão; tira-os exclusivamente da experiência. O espírito humano está por natureza vazio; é uma tábua rasa, uma folha em branco onde a experiência escreve. Todos os nossos conceitos, incluindo os mais gerais e abstractos, procedem da experiência. Enquanto o racionalismo se deixa levar por uma ideia determinada, por uma ideia de conhecimento, o empirismo parte dos factos concretos. Para justificar a sua posição, recorre à evolução do pensamento e do conhecimento humanos. Esta evolução prova, na opinião do empirismo, a alta importância da experiência na produção do conhecimento. A criança começa por ter percepções concretas. Com base nessas percepções chega, paulatinamente, a formar representações gerais e conceitos. Estes nascem, por conseguinte, organicamente da experiência. Não se encontra nada semelhante a esses conceitos que existem completos no espírito ou se formam com total independência da experiência. A experiência apresenta-se, pois, como a única fonte do conhecimento. Enquanto os racionalistas procedem da matemática a maior parte das vezes, a história do empirismo revela que os seus defensores procedem quase sempre das ciências naturais. Isto é compreensível. Nas ciências naturais a experiência representa o papel decisivo. Nelas trata-se sobretudo de comprovar exactamente os factos mediante uma cuidadosa observação. O investigador está completamente entregue à experiência. É muito natural que quem trabalha de preferência ou exclusivamente com este método das ciências naturais, tenha tendência para de antemão colocar o factor empírico sobre o racional. Enquanto que o filósofo de orientação matemática chega facilmente a considerar o pensamento como a fonte única do conhecimento, o filósofo que vem das ciências naturais tenderá para considerar a experiência como fonte e base de todo o conhecimento humano. J. Hessen, Teoria do Conhecimento, Almedina
2. Discuta a cumplicidade existente entre o empirismo e as ciências naturais. 3. Produza um texto onde torne evidentes as principais diferenças existentes entre a concepção empirista e o racionalismo filosófico. |
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Descartes: o itinerário filosófico
| 1. Dúvida c) "Agora parece que enxergo um certo caminho pelo qual se é conduzido desta contemplação do Deus verdadeiro ... ao conhecimento de todas as outras coisas. Em primeiro lugar, reconheço que é impossível que ele me engane alguma vez, porque em toda a falácia ou logro se descobre alguma imperfeição. E embora poder enganar pareça ser uma certa prova de subtileza de espírito ou de poder; querer enganar atesta, sem dúvida nenhuma, malícia ou fraqueza de espírito: o que, por isso, não pertence a Deus. A seguir, verifico que há em mim uma certa faculdade de julgar que, certamente, recebi de Deus, como todas as restantes coisas que há em mim; e, porque ele não me quer enganar, com certeza não ma deu tal que, quando rectamente a uso, possa errar alguma vez." Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira Este texto de Descartes permite-nos entender o circuito fundamental do pensamento do filósofo, já que assenta na explicitação dos seus conceitos fundamentais: a dúvida, o cogito, Deus e as ideias inatas. |
Os pressupostos do racionalismo filosófico
| A posição epistemológica que vê no pensamento, na razão, a fonte principal do conhecimento humano, chama-se racionalismo (de ratio = razão). Segundo ele, um conhecimento só merece na realidade este nome quando é logicamente necessário e universalmente válido. Quando a nossa razão julga que uma coisa tem que ser assim e que não pode ser de outro modo, que tem de ser assim, portanto, sempre e em todas as partes, então, e só então, nos encontramos ante um verdadeiro conhecimento, na opinião do racionalismo. Um conhecimento desse tipo apresenta-se-nos, por exemplo, quando formulamos o juízo "o todo é maior do que a parte", ou o juízo "todos os corpos são extensos". Em ambos os casos vemos com evidência que tem de ser assim e que a razão se contradizia a si mesma se quisesse sustentar o contrário. E porque tem de ser assim, é também sempre e em todas as partes assim. Estes juízos possuem, pois, uma necessidade lógica e uma validade universal rigorosa. Pelo contrário, sucede uma coisa muito diferente com o juízo "todos os corpos são pesados", ou no juízo "a água ferve a 100 graus". Neste caso só podemos ajuizar que é assim, mas não que tem de ser assim. É perfeitamente concebível que a água ferva a uma temperatura inferior ou superior; e também não significa uma contradição interna representar-se um corpo que não possua peso, pois a nota do peso não está contida no conceito do corpo. Estes juízos não têm, pois, necessidade lógica. E mesmo assim falta-lhes a rigorosa validade universal. Podemos julgar unicamente que a água ferve a 100 graus e que os corpos são pesados, até onde podemos comprová-lo. Estes juízos só são válidos, pois, dentro de limites determinados. A razão disto é que, nestes juízos, encontramo-nos limitados à experiência. Isto não acontece nos juízos primeiramente citados. Formulamos o juízo "todos os corpos são extensos" representando o conceito de corpo e descobrindo nele a nota da extensão. Este juízo não se funda, pois, em qualquer experiência mas sim no pensamento. Daqui resulta, portanto, que os juízos fundados no pensamento, os juízos que procedem da razão, possuem necessidade lógica e validade universal; os outros, pelo contrário, não a possuem. Todo o verdadeiro conhecimento se funda deste modo – assim conclui o racionalismo –, no pensamento. Este é, por conseguinte, a verdadeira fonte e base do conhecimento humano. Uma forma determinada do conhecimento serviu evidentemente de modelo à interpretação racionalista do conhecimento. Não é difícil dizer qual é: é o conhecimento matemático. Este é, com efeito, um conhecimento predominantemente conceptual e dedutivo. Na geometria, por exemplo, todos os conhecimentos derivam de alguns conceitos e axiomas supremos. O pensamento impera com absoluta independência de toda a experiência, seguindo somente as suas próprias leis. Todos os juízos que formula, distinguem-se, além disso, pelas características da necessidade lógica e da validade universal. Pois bem; quando se interpreta e concebe todo o conhecimento humano em relação a esta forma de conhecimento, chega-se ao racionalismo. J. Hessen, Teoria do Conhecimento, Almedina
2. Produza um pequeno texto onde evidencie a cumplicidade entre o racionalismo e o pensamento matemático e geométrico. |